O filme “Avatar Aang: O Último Mestre do Ar” está prestes a ser lançado, às 4:00 (horário de Brasília) do dia 25 de julho, na Paramount+. Enquanto isso, elenco e equipe ainda preparam os fãs para o que pode ser esperado dele. Confira uma entrevista com Eric Nam (Aang), Dave Bautista (Tagah), Lauren Montgomery (diretora), Bryan Konietzko e Michael Dante DiMartino (criadores e produtores) a seguir, cortesia da Paramount+ Brasil.

ERIC NAM | “AANG”
Sem revelar demais, o que o público pode esperar da jornada do Aang desta vez?
Eric: Acho que o público pode esperar ver o Aang e a Gaang de um jeito que nunca viu antes. Este filme tem uma escala enorme. Visualmente, é de tirar o fôlego, a trilha sonora é incrível e a animação é simplesmente linda. A gente vê todo mundo já adulto, o que é empolgante demais. Eles cresceram, amadureceram e, mesmo que estejam diferentes por fora, no fundo continuam sendo os personagens que a gente conhece e ama. No caso do Aang, ele está mais velho agora. Carrega uma responsabilidade gigantesca, e cada decisão que toma tem um peso real. Ver como ele lida com isso é uma jornada muito envolvente. Ao mesmo tempo, também dá para ver um lado totalmente diferente dele por meio da relação com a Tagah, o que eu acho bem especial.
Sem entregar nada, quais desafios o Aang enfrenta?
Eric: Sem revelar demais, acho que o maior desafio do Aang é equilibrar o Aang como pessoa e como o Avatar Aang. Nem sempre essas duas coisas caminham juntas. Ele se vê diante de escolhas profundamente complexas e emocionalmente conflitantes, e precisa lidar com o que o mundo espera dele versus o que ele deseja como indivíduo. Ver como ele navega por esses momentos é uma parte muito poderosa da história.
Como é a dinâmica dele com alguns dos outros personagens?
Eric: Uma das coisas de que mais gosto no filme é ver como todas essas relações evoluíram. Todo mundo cresceu, então existe história, confiança, divergências, humor e muita profundidade emocional entre esses personagens. Dá mesmo a sensação de assistir a amigos de longa data, que viveram anos de experiências juntos. Eles se conhecem muito bem, mas ainda assim continuam se provocando, se desafiando e amadurecendo lado a lado. Acho que os fãs realmente vão amar ver essas dinâmicas.
Como foi dar voz a um personagem tão icônico neste momento da jornada dele?
Eric: Sinceramente, foi metade empolgação, metade intimidador. O Aang significa muito para tanta gente, e você quer respeitar tudo o que o público já ama nele, mas também trazer algo novo para este capítulo da vida dele. Foi um privilégio enorme, e eu realmente senti a responsabilidade de fazer jus. Tomara que as pessoas ainda reconheçam o mesmo espírito com que cresceram, só que agora pelo olhar de alguém um pouco mais velho, mais sábio e carregando bem mais peso nos ombros.
Tem algum momento marcante da cabine de gravação que você possa compartilhar?
Eric: Uma das partes mais legais foi poder ver o filme ganhar vida ao longo de vários anos. Lembro de ver os primeiros rascunhos, depois as renderizações e, por fim, a animação pronta. Acompanhar a quantidade absurda de arte e capricho de todo mundo envolvido foi muito especial. Também lembro bem de descobrir quem eram alguns dos outros membros do elenco enquanto eu estava na cabine. Conforme as falas deles iam chegando, aquele momento de “Ah, então é essa pessoa que faz esse personagem” ou “é essa pessoa que faz aquele personagem” foi divertido demais. Acho que temos um elenco incrível. E, sobre a gravação em si… trabalho de voz, às vezes, é honestamente hilário. Se você entrasse na cabine sem contexto nenhum, ia só me ver fazendo os sons mais esquisitos imagináveis — gritando, resmungando, ofegando, fazendo efeitos com a boca e com o corpo inteiro. Na hora pode dar uma vergonha absurda, mas também foi divertido pra caramba.
O que você está especialmente animado para o público ver ou perceber?
Eric: Acho que o público vai ficar de queixo caído com o quanto este filme parece cinemático. A animação é linda, as cenas de ação são incríveis, a trilha é eletrizante, e a história tem uma profundidade emocional enorme. Tem toda a aventura e a empolgação que você espera de Avatar e, claro, também tem muito coração, e eu acho que é isso que torna este filme tão especial. Acima de tudo, estou animado por finalmente os fãs poderem viver essa experiência. Faz muito tempo que as pessoas esperam para ver o Aang e a Gaang de novo, e eu realmente espero que o resultado esteja à altura de tudo o que elas vêm sonhando. Seja você fã desde a série original ou esteja conhecendo o universo de Avatar agora, de verdade acho que tem algo aqui para todo mundo. Mal posso esperar para que as pessoas experienciem.

DAVE BAUTISTA | “TAGAH”
Sem entregar demais, o que o público pode esperar da chegada de Tagah à história?
Dave: Tagah vira tudo de cabeça para baixo no instante em que aparece. Ele tem uma presença poderosa, mas o que realmente define o papel dele são as escolhas que ele obriga os personagens a fazerem. Tem muito mais nele do que parece à primeira vista.
Os fãs já estão comentando muito sobre Tagah desde que o trailer saiu. Como é entrar em um personagem ao qual as pessoas já estão reagindo antes mesmo da estreia do filme?
Dave: É empolgante. Os fãs de Avatar são extremamente apaixonados, então foi divertido ver todas essas reações logo de cara. Só espero que as pessoas curtam descobrir quem Tagah realmente é quando assistirem ao filme.
Sem revelar nada, que desafios o Tagah enfrenta? E como é a dinâmica dele com o Aang?
Dave: O Tagah tem seus próprios conflitos, e isso deixa a relação dele com o Aang bem interessante. Eles se desafiam de jeitos inesperados.
Este é um tipo de papel bem diferente do que você faz em live-action — o que te levou a atuar em um filme de animação?
Dave: Eu adoro experimentar coisas novas, e esta foi a chance de dar vida a um personagem de um jeito completamente diferente.
Você é novo no universo de Avatar. Como tem sido descobrir esse mundo tão rico e esse fandom incrível?
Dave: Tem sido incrível. O mundo é superdetalhado e dá pra ver que os fãs têm um carinho enorme por esse universo, é muito legal acompanhar.
Tem algum momento marcante da cabine de gravação que você possa compartilhar?
Dave: Foi muito divertido encontrar a voz do Tagah. Dá pra ser bem mais expressivo do que as pessoas imaginam.
Teve algo em dar voz a um dobrador de ar — flutuar, planar, esse tipo de poder — que foi divertido de imaginar?
Dave: Com certeza, é muito legal ver que esses personagens têm habilidades diferentes com os elementos. A imaginação faz boa parte do trabalho, e isso foi uma das partes mais gostosas. Mas eu sabia que queria que o Tagah tivesse uma verdadeira presença como dobrador de ar na forma como eu o interpretei. Fiquei muito grato pela visão que a nossa diretora, Lauren, tem desse mundo e por tudo o que ela compartilhou.
O que você está mais ansioso para o público ver/perceber? Pode ser sobre a história, seu personagem, a animação etc.
Dave: Tô animado pra ver a galera vivenciar a animação e perceber como o Tagah se encaixa na jornada do Aang. Acho que depois vai ter muito assunto pra conversar.

LAUREN MONTGOMERY | DIRETORA
A gente viu esse filme ser descrito tanto como uma continuação de Avatar: A Lenda de Aang quanto como um prelúdio de A Lenda de Korra. Como vocês decidiram quais partes da história desse mundo eram mais importantes de explorar nesse intervalo entre as duas séries?
Lauren: No fim das contas, precisava ser uma história com propósito e não só um “vazio” de tempo pra preencher. Assim que decidimos contar essa história do Aang, ficou claro quais elementos tinham que entrar. O que é ser um Nômade do Ar? O que o mundo perde quando não existem dobradores de ar? Como é o mundo depois do fim da guerra de 100 anos? O quanto é importante, para o mundo, que Cidade República dê certo? Muitos elementos da trama naturalmente refletem o que vimos em ATLA e LOK, simplesmente porque esse é o mundo que já foi estabelecido, então os problemas dele também nascem desse universo tão bem construído.
Como você equilibrou contar uma história emocionalmente mais madura sem perder o espírito de esperança que define Avatar?
Lauren: Esta história pende, sim, para um tom um pouco mais sério do que um episódio típico da série, mas os personagens estão em outra fase da vida. Já não dá para contar com a ingenuidade da juventude para manter a esperança quando o que está em jogo é tão alto. Ainda assim, há muito motivo para acreditar neste momento. Eles encerraram a guerra. O experimento de fazer os elementos conviverem juntos, a Cidade República, até aqui tem dado certo. Se conseguirem protegê-la, vão colocar o mundo, de fato, num caminho melhor. A esperança surge naturalmente dos personagens e do tempo em que eles vivem. E o Aang sempre foi um personagem muito positivo. A gente só precisava deixar claro que, por trás daquela alegria, existia uma ferida profunda. Isso não o impedia de enxergar as coisas boas, mas o impedia de se sentir plenamente satisfeito com esse “novo normal” do mundo.
Como você equilibra respeitar os fãs de longa data e, ao mesmo tempo, deixar a história acessível para quem está chegando agora?
Lauren: No fim das contas, tudo na sua história precisa servir à sua história. E, se fizermos uma grande história, teremos honrado os fãs de longa data. Houve momentos em que poderíamos ter colocado mais coisas específicas para fãs, mas sempre tentamos olhar pelo ponto de vista de quem está vendo aquilo pela primeira vez. Se incluir um elemento gera mais perguntas do que respostas, simplesmente optamos por deixá-lo de fora. Há algumas tramas que precisavam ser recontadas, e isso vai soar familiar para quem já conhece os personagens e suas jornadas, mas, enquanto essas retomadas forem essenciais para a evolução do personagem, sabíamos que os fãs não se importariam de vivenciar isso de novo. Além disso, eu sabia que tínhamos uma equipe com um bom número de pessoas que já tinham feito parte de ATLA e LOK e que, seguindo nossos instintos, conseguiríamos manter a fidelidade ao que os fãs queriam sentir. E, se fizermos um filme claro, capaz de contar uma única história do começo ao fim, então também teremos feito justiça a quem está chegando agora à franquia.
Se o público pudesse sair deste filme levando uma única mensagem ou sensação, qual você gostaria que fosse?
Lauren: Empatia. Cada pessoa enfrenta suas próprias lutas. A vida impacta cada um de um jeito. Mas, no fim das contas, somos todos humanos. Todo mundo tem seus desafios. E tratar quem está ao nosso redor com gentileza e empatia pode ir muito mais longe do que o ódio.
Olhando para trás na produção, existe alguma cena ou momento que melhor traduz o que este filme significa para você?
Lauren: No fim do filme, vemos como Aang escolheu seguir em frente. Ele está transmitindo sua cultura para pessoas animadas e dispostas a aprender sobre ela e a praticá-la. Não é o mesmo que o passado que ele ama. Não é o mundo cheio de dobradores de ar que ele esperava mais cedo no filme. Mas é um avanço. É uma escolha que ele faz sem saber exatamente como será o futuro, mas querendo dar o melhor de si para construir a melhor versão desse futuro. E, no fim das contas, tudo o que qualquer um de nós pode fazer é tentar deixar o mundo melhor para quem vem depois.

MICHAEL DANTE DIMARTINO | CRIADOR E PRODUTOR
De que forma revisitar o Aang mudou sua visão dele como personagem, e houve algum traço da personalidade dele que te surpreendeu durante a produção deste filme?
Michael: Vemos o Aang ficar mais determinado e mais disposto a correr riscos para conseguir o que quer. A gente nunca quis perder a alegria jovem dele, mas esta história o levou para um terreno emocional que ele normalmente evitaria, e isso fez com que ele agisse com uma intensidade que não tínhamos visto nele quando era criança. Isso o torna um personagem mais completo, com forças reais e falhas com as quais é fácil se identificar.
Já vimos este filme ser descrito tanto como uma continuação de Avatar: A Lenda de Aang quanto como um prelúdio de A Lenda de Korra. Como vocês decidiram quais partes da história desse mundo eram mais importantes para explorar nesse intervalo entre as duas séries?
Michael: A evolução da Cidade República e o destino da Nação do Ar foram os dois fios principais que queríamos aprofundar. A gente já vinha desenvolvendo ideias sobre a formação da Cidade República nas HQs e levou parte disso para o filme. Também sabíamos onde certas coisas acabariam, como o templo na Ilha do Templo do Ar, mas não como nem por que ele foi construído ali. Este filme responde isso. E, pela Lenda de Korra, sabemos que os dobradores de ar voltam a existir no mundo, então o filme não podia terminar com o Aang realmente alcançando o objetivo de trazê-los de volta. Isso virou um desafio, porque não dava para oferecer a ele um final feliz tradicional, em que o herói consegue tudo o que quer. Ele precisa abrir mão do próprio sonho pelo bem maior. A cena final, em que Aang encontra a manada perdida de bisões voadores, foi o nosso jeito de ainda encerrar com um momento de esperança. Ele não consegue exatamente o que queria, mas ele (e o mundo) chegam a um lugar melhor.
Como você equilibrou contar uma história mais madura emocionalmente e, ao mesmo tempo, preservar o espírito de esperança que define Avatar?
Michael: Tanto a série original quanto A Lenda de Korra já traziam histórias emocionalmente maduras, então este filme é, de certa forma, uma continuidade disso. A diferença é que o Aang agora é adulto, em outra fase da vida, e carrega a perda do seu povo de um jeito muito mais profundo. Embora a gente tenha abordado o luto dele na série, esse não era o foco. O Aang tinha uma guerra para acabar e era um herói relutante, que costumava evitar encarar os próprios problemas de frente. Aquela ferida da infância nunca cicatrizou por completo, e este filme finalmente o obriga a lidar com isso.
Como você equilibra homenagear os fãs de longa data e, ao mesmo tempo, tornar a história acessível para quem está chegando agora?
Michael: Nos propusemos a contar uma história que qualquer pessoa pudesse curtir, tendo visto ou não a série original. Quem acompanha há anos vai adorar ver o Time Avatar já crescido, vivendo uma nova aventura. E, se você está chegando a esse universo agora, dá para mergulhar numa trama rica que, com sorte, vai te dar vontade de voltar e assistir à série original para ver onde tudo começou.
Se o público pudesse levar uma única mensagem ou sensação deste filme, qual você gostaria que fosse?
Michael: Que o poder revela, ele faz aflorar tanto o melhor quanto o pior nas pessoas. O poder, por si só, nem sempre é algo que corrompe. Ele é necessário para provocar mudanças reais no mundo. Mas, às vezes, na busca por poder, as pessoas podem perder o contato com a própria humanidade e com quem realmente são. Alguns buscam o poder por motivos egoístas, em vez de pelo bem maior. O cajado de Sonam personifica esse poder, e cada personagem tem seu próprio motivo para desejá-lo. Como em todas as histórias de Avatar, tudo se resume a encontrar o equilíbrio entre os extremos.
Qual foi a parte mais gratificante de ver este projeto finalmente ganhar vida após anos de desenvolvimento?
Michael: Lembro-me da primeira vez que vimos a animação finalizada pela Flying Bark para a sequência do Monte Baihu. Ficou absolutamente impressionante. Aquela foi a primeira sequência a entrar em produção e uma das mais ambiciosas. Ao ver toda a arte de produção, a animação dos personagens e o trabalho complexo de câmera se unindo de forma tão espetacular, soubemos que tínhamos algo especial em mãos. E, quando finalmente nos sentamos no cinema com a equipe e assistimos ao filme pronto, esqueci todos os desafios que enfrentamos ao longo do caminho e simplesmente aproveitei a experiência. Tenho um orgulho imenso do que todos conquistaram juntos.

BRYAN KONIETZKO | CRIADOR E PRODUTOR
Como revisitar o Aang mudou sua compreensão dele como personagem? Houve algum aspecto da personalidade dele que o surpreendeu durante a produção deste filme?
Bryan: Eu não diria que o Aang me surpreendeu como personagem — eu o conheço muito bem a esta altura —, mas foi ótimo explorar como ele é como jovem adulto e como Avatar. Ele continua sendo humano e cheio de falhas, mas possui uma alma linda, que merece ter suas histórias contadas.
Vimos este filme ser descrito tanto como uma sequência de Avatar: A Lenda de Aang quanto como uma prequela de A Lenda de Korra. Como vocês decidiram quais partes da história daquele mundo eram as mais importantes para explorar no intervalo entre as duas séries?
Bryan: Com A Lenda de Korra, criamos uma série que serviu como sequência completa de Avatar: A Lenda de Aang, na qual exploramos como o mundo havia evoluído nos cerca de 70 anos desde o fim da guerra. No filme, mostramos com mais detalhes como Aang e seus amigos não apenas ajudaram a fundar a Cidade da República, o centro do mundo moderno de Avatar, mas também tiveram de lutar pela própria existência dela.
Como vocês equilibraram a narrativa de uma história emocionalmente mais madura, preservando ao mesmo tempo o espírito de esperança que define Avatar?
Bryan: As histórias de Avatar sempre equilibram uma grande variedade de tons, do cômico ao trágico. No filme do Aang, lidamos com um tema muito sério: o protagonista e o antagonista enfrentando o trauma de terem sobrevivido, cada um, a um genocídio. O espírito de esperança transparece na tentativa de encontrar um caminho para que esses sobreviventes alcancem algum tipo de cura em meio ao luto.
Como vocês equilibram a homenagem aos fãs de longa data com a necessidade de tornar a história acessível a novos espectadores?
Bryan: Foi um desafio conseguir isso com a duração relativamente curta, mas tentamos focar no que tornava os personagens e o mundo de Avatar atraentes na série original, ao mesmo tempo em que incorporávamos o máximo possível da construção de mundo e de referências a ela.
Se o público pudesse levar consigo uma mensagem ou um sentimento deste filme, qual vocês gostariam que fosse?
Bryan: O mundo sempre enfrentará atos de horror, mas a humanidade precisa encontrar um caminho para a cura e trabalhar para prevenir futuras atrocidades. “Pessoas feridas ferem outras pessoas”, por isso precisamos nos curar.
Qual foi a parte mais gratificante de ver este projeto finalmente se concretizar após anos de desenvolvimento?
Bryan: Tenho a sensação de que isso acontecerá quando exibirmos o filme finalizado para milhares de fãs na San Diego Comic-Con, na semana que vem.